sexta-feira, dezembro 27, 2002

PIT STOP

26 de dezembro de 2002 parei em são paulo só pra trocar de malas. do interior do estado eu agora vou direto para a bahia. então. feliz 2003 para todos.. que a tendência se repita e os anos continuem sendo cada vez melhores. na minha volta, lá pros meios de janeiro, confiram: especial de natal 2002 serena calejon -- o ano em que o natal perdeu o sentido (e reencontrou-o rapidamente). não percam!

CHRISTMAS SPIRIT

Eu sempre achei uma babaquice tremenda essa história de “espírito natalino”. Mesmo. Nunca fez sentido para mim. Por outro lado, o Natal sempre foi uma época feliz. Não por causa dos preceitos natalinos, mas porque a família estava sempre toda ali, sorrindo, gargalhando, cada um carregando seus defeitos, mas todos felizes-em-se-ver.

E é claro que isso poderia ser chamado de espírito natalino, se fosse. Mas não é. Se fosse espírito natalino todos os natais seriam assim, seria um inevitável efeito sazonal, como a queda das folhas no outono. E aí, no ano passado não teria sido diferente como foi.

As reuniões famíliares são sempre um exercício intensivo de paciência e compreensão, todos querem ser aceitos, todos se esforçam por aceitar. Até que você repara bem e vê no fundo dos olhos dos seu pais um brilho opaco de desgosto. Eles têm certeza que erraram com você, que você não tem a menor idéia do que está fazendo com sua própria vida. Nem eles têm, e ninguém sabe como isso foi acontecer. Desgosto.

O resto da família não está nem aí, literalmente. Chegam na véspera vão embora no dia. E eu fiquei me peruntado o tempo inteiro que porra eu estava fazendo ali. A resposta mais óbvia foi que se eu não estivesse ali, onde mais? Isso é tudo o que eu sei do natal, mesmo que seja banhado a desgosto e hipocrisia, isso é o natal. Fazer o quê? Beber para afogar as mágoas, e os desgostos e as hipocrisias. Beber eu sei fazer, não me requer esforço algum. Pelo contrário, era o mais próximo e familiar que havia no natal – e o brilho nos olhos ficando cada vez mais opaco.

Justamente quando a temporada está acabando e o natal parece condenado a um resumo sem-sentido de sentimentos estranhos e incomuns, eu me lembro de pôr o celular para carregar – ele estava desligado há dois dias, coitado. Vou escovar os dentes e me preparar para dormir (são 7 e meia da manhã do dia 25). Deito a cabeça bêbada no travesseiro e o celular toca. Mensagem. Deixada há algumas horas, no começo da madrugada. Sê, é o Dani. Tô ligando pra desejar um Feliz Natal... e dizer que foi um ano bom. Que foi muito bom ter te conhecido e que apesar das nossas desavenças e desentendimentos.. a gente viveu muita coisa legal juntos. Feliz Ano Novo para você, que tudo dê cada vez mais certo na sua vida. Um beijo, moça.

Que?? Depois de tempos sem se falar, depois de meses brigando, provocando, ferindo, ignorando. Ele liga para desejar feliz Natal. Se fosse em qualquer outra ocasião, teria sido a coisa mais absurda do mundo. Mas sendo neste Natal, mesmo sendo um absurdo no meio de muitos outros absurdos, foi a única coisa que fez sentido.

Como a peça final de um quebra-cabeça cego, que não precisa fezer sentido para ser exata. Era exatamente o que faltava.

Então, afinal, esse misto de sentimentos cândidos – e o impulso quase incontrolável de gastar dinheiro – que acomente as pessoas no final do ano deve mesmo ser uma condição natural. Deve ser uma característica inerente ao início do verão como o frio é ao inverno.

quinta-feira, dezembro 19, 2002

FIM DE ANO

acho que a nivel de blog, o meu ano está praticamente acabado. principalmente com a correria louca que vem chegando com a proximidade das festas. o fato é, na verdade, que eu não tenho muito mais o que escrever, principalmente depois que eu conversei com um amigo e nós juntos chegamos à conclusão que é melhor viver mais e encancar menos, ou, como disse a Carol, menos crise e mais cachaça. aliás, haja fígado para agüentar as festas de fim de ano. ê laiála.

MOMENTO DO CORAÇÃO

para quem acompanha meu trabalho solitário de encher o saco dos internautas munidos de boa fé que lêem o meu blog, ou para esses mesmo internautas, mais especificamente: Feliz Natal e Feliz Ano Novo para todos. a mensagem é brega mas tem que ser passada, senão, qual a graça das festas? enfim, boas vibes para todos começarem o ano com o pé certo (para mim é o esquerdo porque eu acho que combina mais comigo, mas vai de cada um...). e, por último, mas não menos importante, alguém quer alguma encomenda da Bahia??
;-)

terça-feira, dezembro 17, 2002

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porra, eu tinha um montão de coisas pra escrever, aí a Fê me ligou (depois de ter me dado um puta cano ontem) e eu vou ter que sair correndo. fica pra próxima. não percam: boletim da última semana antes das tradicionais viagens em família de fim de ano. em breve, não nas bancas, aqui mesmo.

domingo, dezembro 15, 2002

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mais uma noite no básico. as úlimas têm sido como despedidas. homeopáticas e dolorosas, como alguém que se despede de um querido com cancer. hoje demorou mas eu entendi que toda uma era ficou para trás. não sei se foi o fato de a banda estar acabando (mudando, na verdade), ou se foi o lance de ser a quinta vez consecutiva que eu não encontro nenhum dos meus mais significantes amigos em termos de básico, o pessoal do cursinho.

para vocês: desculpa gente, só agora eu entendi que cada um deve seguir o seu caminho. solenemente. pra vocês:

Come and see
I swear by now I'm playing time
I against my troubles
I'm coming slow but speeding
Do you wish a dance and while I'm
in the front
the play on time is won
but the difficulty is coming here
I will go in this way
And find my own way out
I wont tell you to stay
But I'm coming to much more
Me
All at once the ghosts come back
Reeling in you now
What if they came down crushing
Remember when I used to play for
all of the loneliness that nobody
notice now
I'm begging slow I'm coming here
Only waiting I wanted to stay
I wanted to play
I wanted to love you
I'm only this far
And only tomorrow leads my way
I'm coming waltzing back and moving into your head
Please, I wouldn't pass this by
I would take any more than
What sort of man goes by
I will bring water
Why wont you ever be glad
It melts into wonder
I came in praying for you
why wont you run
in the rain and play
let the tears splash all over you

sexta-feira, dezembro 13, 2002

NOT SO FAST, YOUNG LADY

-você por aqui? não esperava te encontrar de novo tão cedo.
-é - diz ela baixinho. sem graça.
silêncio, confortável para uma desconfortável para outra.

(trecho em construção. parei para ajudar o Murilo.)(voltando...)

-acho que eu descobri mais uma, ou a definitiva, razão do meu vício.
-sim...
-foi um amigo que me disse. ele fez parecer como se não fosse nada de mais, mas ele não sabe o quanto o que ele falou me pegou. ele disse que o motivo do meu vício é simples, eu estou à procura de um grande amor. ou do amor da minha vida, tanto faz.
-e o que você acha?
-que ele tem razão. eu passei a maior parte das minhas crises existenciais tentando ignorar isso, como se a minha vida devesse ser muito mais do que a mera busca ou ausência de um amor definitivo.
-e agora você resolveu encarar isso?
-resolvi. mas não foi reconfortante. eu fiquei com medo.
-do que?
-de estar me auto-sabotando, sabe? de não enxergar ou de afastar os amores de mim simplesmente por não estar pronta. tenho medo de não estar pronta. a verdade é essa.

no fundo, se eu estivesse mesmo fazendo terapia, eu sabeira como minha interlocutora responderia. fiquei sem resposta, acho que nem o osmar consegue ma ajudar agora.

quarta-feira, dezembro 11, 2002

TÁ, DESISTI DA TERAPIA

-doutora, acho que descobri a verdade sobre meu vício!
-e qual é essa verdade?
-não é a felicidade alheia, é a esperança.
-?
-o final feliz. é a esperança de que nós algum dia também teremos um. pode não ser no cinema, mas tem que ser feliz.
-então é a esperança que te vicia?
-não, é o final feliz mesmo. ele gera um círculo vicioso. pessoas muito felizes, eu nem tanto, eu quero ser feliz, eu estava feliz enquanto assistia o filme, eu quero outra comédia romântica.
-mas a idéia comercial do filme será que não é exatamente essa?
-pode ser. mas também é mais fácil botar a culpa no capitalismo, né? e também pode não ser. quer dizer, será que funciona assim com todo mundo?
ela não responde. por sua cabeça começam a relampejar os primeiros indícios de que seus serviços talves sejam inúteis.

terça-feira, dezembro 10, 2002

MEU PRIMEIRO DIA NA TERAPIA

ninguém merece essas horas intermináveis de ócio. dá pra inventar tanta coisa imprestável, como descobrir uma depressão imaginária ou prever o primeiro dia numa seção inexistente de terapia.

-bom, temos que começar por algum lugar. me conta alguma coisa sobre você.
-eu sou viciada em comédias românticas.
preocupada, afinal o vício em questão vale uma tentativa de suicídio, a interlocutora tenta avançar com mais cautela na conversa.
-o que te atrai nelas?
-gosto de ver as outras pessoas felizes.
-e você, não é feliz?
ela olha pela janela, a madrugada quase silenciosa de seu apartamento vazio. não responde.
INDIGNAÇÃO

porra, cortaram a árvore da frente do meu prédio. ela cobria a janela da sala inteira. não sobrou nenhum galhinho pra contar história. não tem ninguém que eu possa processar? (se fosse nos eua, aqueles legalomanícos já teriam derrubado uma meia dúzia na prefeitura) bom, cada um com suas perdas, e eu que me fudi porque a árvore foi um dos principais motivos para a gente alugar o apê. eu e o camilo combinamos de desenhar uma árvore nova numa cartolina e colar na janela. que bosta, que raiva.

segunda-feira, dezembro 09, 2002

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finalmente consegui colocar os malditos comentários no meu blog. mas eles ficaram feinhos, né? agora eu tô tentando mexer no dremweaver (que o camilo jura que é mais fácil que frontpage) mas não tá dando certo. vou ter que voltar para a casa dos meus pais para conseguir mexer nisso. bom, pelo menos agora eu tenho comments. ;-)

domingo, dezembro 08, 2002

MELHOR ASSIM

o pior de poder olhar para trás é julgar o próprio passado. o murilo que me veio com essa história outro dia. quer dizer, não com essa história precisamente, mas ele soltou um "melhor assim" que retumbou na minha cabeça. por que melhor? ou melhor, por que a comparação? podia ser pior. (me deu uma vontade enorme de falar mal do otimismo e do cristianismo, mas deixa isso pro Nietzsche) meu problema é mesmo com a comparação. me recuso a aceitar que um fato ou evento do passado possa ser melhor ou pior do que foi. ele só é e só pode ser o que foi, mais nada. o grande lance é que todos nós temos um lado fraco e polyanna, e precisamos de uma desculpa para acreditar que a vida não é tão ruim assim, e caem na comparação (afinal, "podia ser pior"). mas ninguém pensa no livre-arbítrio. e, por outro lado, o otimismo impede uma visão clara, não? achando que foi melhor assim, fica mais complicado de dizer se foi aquém das possibilidades no que dependia de você.

quer dizer, se as coisas foram assim, e não foram boas (por mais que tenham sido melhores que outra coisa pior), vai lá e muda o que tá errado pra não deixar acontecer de novo. pegue a vida nas mãos e seja responsável por ela. não é tão fácil, né? por isso foi que eu fiz a pergunta: QUEM REALMENTE QUER SAIR DO LUGAR?

sábado, dezembro 07, 2002

RESSACA MORAL, MY ASS

os últimos dois posts eu escrevi à mão ontem a noite. e deixei para postar hoje porque eu sabia que não ia conseguir digitar, ou ia escrever tudo errado. sim, escrevi tudo isso depois da balada, ainda com um teor alcólico bacana no sangue. tá engraçado. por outro lado tá ficando meio visceral esse blog, tá pegando pesado. por isso, considerarei esse tipo de post, tão auto-biográfico e auto-analítico como uma experiência que aqui se encerra. fim.

ps: cara nova do blog para comemorar as festas de fim de ano.
SAY NIGHTY NIGHT AND KISS ME

o natal continua se aproximando e exercendo uma influência inacreditável sobre mim.

[parece que se esse blog fosse para me espelhar (inteiramente), eu teria que volta muito no tempo. do que estou reclamando? (lá vem outra CE, Crise Existencial...)]

estive hoje num dos lugares que é a minha cara, a minha casa (à noite). foi uma das noites mais bacanas. non the less, não por menos, na real, me sinto mal. não tenho cumprido com meus compromissos, não quero cumprí-los. me sinto como que predestinada a jogar todas as boas oportunidades fora. todas as melhores.

me vejo como uma das pessoas que tem mais motivo no mundo para ser feliz. ainda assim, arranjo qualquer desculpa para ser melancólica. bucólica. depressiva. who cares? minha (in)felicidade se preenche na televisão, em qualquer sitcom ou drama norte americano enlatado que fale a língua de algum adolescente como eu (que passa por crises existenciais, que sofre, que vive). eu sou uma pessoa comum. medíocre, mediana. lutei a minha vida inteira contra isso, mas inevitavelmente essa é a minha realidade (queria que o Osmar lesse isso agora and/to proove me wrong). queria tantas coisas, tanto. mais do que posso ter, tanto mais do que posso ser, principalmente. parece até absurdo querer botar isso em palavras.

a verdade é que tudo errado. minha vida está toda errada. e por mais que eu odeie isso, não há como consertar.

tudo o que eu queria era uma porrada de chavões que me fizessem feliz. mas não, nessa hora eu não posso ser average, nessa hora eu tenho que ser diferente. tenho uma longa noite de insônia pela frente. lá vamos nós.
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ps: será que estou condenada a quere quem não me quer?ou será que tenho só medo (de ser amada e de amar em retorno)? eu que tinha tanto medo de terapia, estou começando a ficar com medo de mim mesma. é melhor correr para a terapia.

sexta-feira, dezembro 06, 2002

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acabou de me ocorrer que quando eu comecei a escrever o último post, minha intenção não era escrever o que escrevi. pelo contrário. mas o texto acabou criando vida própria. ele sabia melhor do que eu sobre o que eu precisava escrever. o peculiar nisso tudo é que isso que foi dito talvez não seja o mais importante ou o mais incomodante ocorrendo na minha vida agora, e até então me parecia que só as coisas importantes ou incomodantes mereceriam ser aqui escritas. ledo engano.
JANTAR EM FAMÍLIA

ando me sentindo meio sem chão. perdida mesmo. principalmente em termos de computador. em casa, no apê, é mais fácil escrever. é mais fácil ser eu mesma lá. acontece que lá o computador tá sempre ocupado, e a eu mesma que eu sou prefere achar que eu não tenho nada de importante pra fazer na internet e que já que o meu primo chegou lá primeiro ele que use à vontade. não sei mais quanto tempo isso vai durar...

por outro lado, em casa, na casa dos meus pais, parece que eu não me dou mais o direito de ser eu mesma, ter as minhas coisas. na minha cabeça eu tenho medo de passar pela crise de mudar-me da casa de meus pais. assim, se eu não criar vínculos na casa deles, minha casa vai ser sempre o apê. mas eu sinto falta de estar aqui, de conviver com a minha família, então decidi voltar durante as férias, pelo menos durante o tempo em que eu não estiver viajando.é aí que a história se complica: como é que eu quero passar tempo aqui sem recriar antigos vínculos? não dá. e talvez não haja nada errado nisso, talvez seja besteira minha achar que não devo.

hoje, pela primeira vez em meses a família vai toda jantar junta. estamos todos felizes, acho que o Natal tem essa propriedade sobre nós.

segunda-feira, dezembro 02, 2002

ENQUANTO ISSO...

chegaram as férias e o ritmo do meu blog vai diminuindo cada vez mais... vai ficar a cara do reveillon que eu vou passar na Bahia, lento só. para quem fica, deixo uma sugestão:

http://ctrl-alt-del.blogspot.com

(eu tentei enviar isso como um link mas não deu. tanta coisa que eu tenho que aprender ainda... e eu aqui presa tentando mexer no computador. desisto! só até daquia a pouco...)

boas férias!